terça-feira, 19 de abril de 2011

Dia 6 – Começando o workshop…

Acordamos cedo para poder visitar o Museu da Kartell, grande empresa de produtos em plástico. Logo na entrada já presenciamos duas grandes esculturas vivas, de um vaso e um banco cobertos de plantas.

Ao entrar, nos deparamos com uma exibição especial devido ao Salone del Mobile de, nada mais nada menos do que Tokujin Yoshioka. Com a coleção “The Invisibles”, produzida especificamente para a Kartell, estavam em exposição mesas, sofas, poltronas e bancos.

A visita ao Museu foi guiada, passando pelo primeiro produto da empresa: tiras de borracha para o transporte de skis em carros.

A visita contou com meio século de história e mais de mil produtos expostos, incluindo propagandas e catalogos antigos da empresa. Em cada sala, a guia mostrava as grandes inovações ao longo dos tempos e os pordutos de maior sucesso.

O Museu da Kartell também conta com um café e um jardim lindo.

Voltando da Kartell, demos uma passada rápida… bem, não tão rápida assim, na Central de Trens para comprar as passagens que utilizaríamos para nossa viagem. A Central é grande e muito bonita, quase parecendo com um shopping. A arquitetura combina perfeitamente com a cidade de Milão.

Depois de alguns tumultos como fila para compra de bilhetes e metros trancando no meio do caminho, chegamos ao Salone del Mobile mais uma vez, para um rápido passeio de uma hora (que não dá par aver muita coisa) antes de encontrar o pessoal do workshop no stand da Desalto.

Uma das empresas legais que vimos nesse meio tempo foi a Cini & Domeniconi, com uma bela exposição de relógios. Um dos modelos era composto por um quadro negro, para ser personalizado da maneira desejada. Outros lembravam almofadas de croché. Um terceiro relógio formava a imagem de borboletas voando.

Em seguida, nos encontramos com o resto do pessoal no stand da Desalto para apresentação do briefing e dos colegas com os quais trabalharíamos. Tudo começou com uma explicação do designer Piergiorgio Cazzaniga sobre a cadeira Kobe, projetada por ele para a Desalto.

Para encerrar o encontro, foram oferecidas bebidas e comidas em um coquetel para o pessoal. Participam do workshop 16 estudantes do Brasil, 6 da Itália e masi 6 dos Emirados Árabes. Totalizando 28 pessoas de 3 continentes diferentes. Foram formados grupos de 4 pessoas, misturando o máximo possível a nacionalidades. O meu grupo foi formado por Maki de Caxias do Sul, Hani da Síria e Serena da Itália.

Mas a noite não terminou por aí. Saímos do Salone (depois que tudo já estava fechado) e fomos novamente para a Via Tortona, convidados para uma “festa” pelo nosso colega italiano. Caminhamos pelo espaço e pela via, mas retornamos cedo pois amanhã temos que acordar ainda mais cedo que o normal para nossas viagens de dia livre.

Dia 5 – Sentando e levantando...

Pela manhã, nos encontramos na Piazza Duomo. Após alguns probleminhas técnicos de trânsito, o pessoal se dividiu para fazer suas visitas. O primeiro lugar que fomos foi no Duomo. Depois de passar tantos dias admirando sua majestosidade pelo exterior, decidimos conhecer o interior. As obras de arte eram muito bonitas, assim como as esculturas e altares.

Depois da visita ao Duomo, fomos à Via Torino visitar a loja Muji, que é uma marca japonesa que prima pelo suficiente e pelo preço razoável.

“Muji não é uma marca. Muji não faz produtos de individualismo ou moda, nem reflete a popularidade do seu nome nos seus preços. Muji cria produtos com uma visão sobre o consumo do futuro. Isso significa que nós não criamos produtos que fazem os consumidores acreditarem que ‘este é o melhor’ ou ‘eu preciso ter isto’. Nós gostaríamos que nossos consumidores sentissem o sentido racional da satisfação que não vem com ‘este é o melhor’, mas com ‘este é suficiente’. ‘Melhor’ se transforma em ‘suficiente’ para a vida de um jovem consciente do meio ambiente.

Depois da Muji, fomos ao Museu Achille Castiglioni. Infelizmente não era possível fotografar, mas conhecer pessoalmente o espaço de trabalho de um criador tão renomado foi de tirar o fôlego... incluindo a possibilidade de ver alguns protótipos de peças que estudamos todos os anos na faculdade e o famoso trabalho de conclusão de curso dele... feito com um queijo.

De lá fomos ao Museu da Triennale. Mas claro, sem deixar de parar para tirarmos umas fotinhos antes...

No museu da Triennale, alem de ver exposições novas e relacioandas ao Salão do Móvel, podíamos sentar nas cadeiras que por tanto tempo usamos de referencia em nossos trabalhos. Os grandes nomes incluíam Michele de Lucchi, Ettore Sotsass, Masanori Umeda, Gaetano Pesce e, é claro, Achille Castiglioni.

O horário que saímos da Triennale já era tarde para irmos ao Salone. Então fomos à Via Tortona, que é uma rua cheia de exibições do Fuori Salone.

Na Via Tortona vimos algumas exposições muito legais, principalmente de iluminação. Uma delas trabalhava com luminárias que utilizavam água dentro dos vidros para irradiar a luz. Assim que conseguir, coloco o nome do designer.

Também vimos uma versão muito legal da Up Five, de Gaetani Pesce, feita de papelão.

Retornamos cedo para o hotel para tentar recuperar um pouco do sobo perdido e colocar as coisas em ordem. Mas o dia foi muito divertido.

sábado, 16 de abril de 2011

Dia 4 – Mais e mais design...

Hoje o nosso destino matinal foi um pouco diferente. Fomos ao Politécnico de Milão, que é a escola de design italiana com a qual o nosso curso da Unisinos foi criado em parceria. O Politécnico não fica no centro da cidade. Tivemos que pegar o metrô e um trem para chegar lá.

Mas a estrutura da escola é muito bonita e colorida. Os laboratórios são muito bem equipados. O de fotografia, por exemplo, é alugado para empresas filmarem e fotografarem seus materiais publicitários.

Depois de tudo isso, retornamos a feira com o plano de ver o resto do Salão Satélite.

Um dos projetos que achei mais legais foi do Politécnico de Bari. Eles construíram uma estrutura de paredes feita de papelão.

Ainda na linha do papel, a Skalo Design propôs uma poltrona muito firme produzida a partir de rolos de papelão usados. A cadeira vem acompanhada de um apoio para pés do mesmo material, que tem espaço interno para guardar revistas e outros objetos.

A L’Ecole de Design Nantes Atlantique fez uma apresentação de materiais para animais de estimação muito diferenciada, com uma estéticas inovadora e que causa curiosidade.

Depois da exposição e de uma breve pausa para um gelatto de limão, melância e kiwi, o pessoal resolveu ir às compras. Uma vez que tentamos ir à festa de inauguração do Fuori Salone Casa Claudia e não pudemos entrar por causa da lista de convidados. Uma das nossas colegas que está fazendo intercâmbio por aqui nos levou a uma loja de roupa a quilo. A proposta é bem interessante. Cada tipo de roupa tem um preço por quilo. O cliente escolhe as peças que quer, pesa e compra. Mas é preciso dar uma garimpada para achar as peças legais. Fomo também na Zara e na GAP, que por coincidência estava “participando” do Fuori Salone com vitrines e decorações de papel.

Reencontramos todos em frente a Casa Claudia e prolongamos a noite caminhando pela cidade em busca de algum lugar para sentar e beber alguma coisa. Passamos por alguns pontos bem bonitos pelo caminho. Acabamos sentado em um barzinho durante a Hora Feliz, na qual se comprava uma bebida e a comida era liberada. De qualquer maneira, foi a coca-cola mais cara que já tomei a vida... oito euros!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dia 3 – Muita emoção para um coração só...

Saindo do Salone, fomos caminhar pela Via Manzoni e pela Via Monte Napole. A Via Manzoni é cheia de lojas de grandes marcas, como Dior, Prada, Armani, Versace, Kenzo, etc. Para aqueles que tem dinheiro, é um ótimo local de compras. Para aqueles que não tem, é no mínimo divertido olhar as vitrines, normalmente muito bonitas, e às vezes assustadoras... quando os preços estão listados...

Na Via Monte Napole estava localizada a Alessi, marca muito admirada por nós designers. Porém esta Alessi foi um pouco frustrante. Se tratava de um Fuori Salone, menor que o próprio stand da empresa no Salone. Os produtos não estavam a venda. Mas é sempre bom vê-los pessoalmente.

A próxima parada foi o Castelo. Todo castelo é lindo, grande e antigo. Este não era exceção. Vimos o Castelo pela primeira vez quando voltávamos para o hotel à noite, passando apenas de ônibus. Acabamos chegando tarde no Castelo e não pudemos ver todo ele. Mas o interior era espaçoso, e parte estava sendo reconstruída.

Mas o melhor do dia ainda estava por vir. Logo apos a visita ao Castelo, a maior parte do pessoal foi embora. Sobraram apenas 3. Desde que recebemos o folheto com a lista dos Fuori Salone, eu queria ir em duas exibições, a do Nendo, que é um designer japonês que acompanho e a da Moroso, que estava apresentando uma exibição criada pelo Tokujin Yoshioka, que era bem pertinho do Castelo.

Fomos caminhando até lá, e as minhas expectativas aumentando, pois este designer tem um histórico muito legal de exibições e design de experiência. Mas a inauguração havia acontecido na noite anterior. Então, eu estava preparada para ver uma exibição. Quando chegamos lá, quase que meu coração sai pela boca, pois o próprio Tokujin Yoshioka estava sentado em uma cadeira, no meio da sala, dando uma entrevista.

Depois de superar o nervosismo e a vergonha, consegui criar coragem para falar com ele... em japonês... e tirar uma foto. Sabe a emoção de encontrar um ídolo, daqueles que a gente realmente admira? Pois então, foi exatamente isso... Se tirar uma foto com o Karim Rashid já foi legal, para mim, esta foi muito mais. Foi realmente muito emocionante.

Dia 3 – O Salão Satélite

À tarde, fomos ao tão falado pavilhão Salone Satellite. Esta é a 14ª edição do Salão Satélite, enquanto o Salão está na 50ª edição. Este pavilhão conta com 700 participantes e 20 escolas de design. Os projetos apresentados eram bastante inusitados. Com certeza foi uma das seções mais interessantes da feira.


A designer Tânia da Cruz inovou com vasos em formatos de cabeças, que faziam com que as flores ali plantadas formassem os cabelos das formas.

A Swedishninja criou uma linha de produtos feitos, entre outros materiais, de concreto. Entre eles estão duas luminárias, uma poltrona e um apoio para os pé.

A Resign Academy criou um sistema diferenciado para passar seus contatos aos interessados. Ao invés de entregar cartões ou folhetos com fotos dos produtos, eles criaram carimbos com os contatos e alguns imagens, que poderiam ser utilizados em papéis preparados ou nos próprios cadernos e blocos de anotações. O grupo de designers também mostou vários projetos legais, inclusive este quadro-luminária, que causa um efeito muito chamativo.

Infelizmente, uma tarde não foi suficiente para ver todo o Salão Satélite. Tivemos que deixar a outra metade do pavilhão para amanhã. Mas o dia não acabou por aqui...

Dia 3 – Um dia de Salone

Hoje o dia foi de Salone Del Mobile. Depois de mais uma noite mal dormida, saímos cedo e fomos com o ônibus do hotel para o evento. O problema do nosso hotel é a distância da cidade. Leva quase uma hora para nos deslocarmos do centro para o hotel e vice-versa. A boa notícia do dia de hoje foi que não ficamos aquele tempo todo esperando para o credenciamento e compra de ingressos, entramos diretamente nos pavilhões.

Pela manhã, visitamos o setor Moderno, que mostrava algumas empresas menos conhecidas mas mais novas. Alguns produtos eram muito interessantes, mas o Euroluce foi bem mais impressionante. Os stands desse espaço também apresentavam algumas propostas e layouts inovadores.

A Officinanove mostrou principalmente prateleiras modulares feitas em metal. Alguns utilizavam cores fortes e diferenciadas, enquanto outros eram mais discretos, com cores mais sóbrias entre brancos, marrons e beges. A coleção também oferecia luminárias bancos e mesas de apoio.

Outro stand interessante foi o Malaysia National Design Center, com uma visão oriental e nova dos produtos de design. Os representantes eram muito simpáticos e ofereciam algumas provas de comidas tradicionais do país. Os produtos misturavam a inovação com o tradicional, criando uma estética bastante característica.

Outra que me impressionou, e dessa vez, talvez, por motivos mais pessoais, foi a Kubedesign. Todo o stand, assim como os produtos, foram feitos de papelão. Divisórias, candelabros, cadeiras, mesas, apoios para livros e decorações em branco, verde e marrom.

Pausa rápida para o almoço. Bem, não tão rápida assim. As filas nas horas das refeições são sempre gigantes, principalmente perto das 13h. Cardápio de hoje: hot dog e patatines (cachorro quente – alemão – e batatas fritas), com coca-cola quente... porque os italianos não são muito fãs de bebidas geladas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Dia 2 (mais tarde) – Um pouco de escuridão

Depois de algumas horas vendo luminárias, decidimos fazer uma pausa do setor de iluminação (pois vimos apenas um dos pavilhões) e ver uma parte das exibições de design. Passamos por alguns stands de marcas famosas, como a Alessi com seus produtos sempre maravilhosos, e a Kenzo, que transbordou prepotência ao impedir que mesmo a equipe de imprensa fotografasse sua nova coleção.

Uma das revelações foi a 1920 R Tra Le briccole di Venezia, com mobiliário que explorava a natureza em forma mais crua e mesmo assim exibia formas mais do que interessantes.

Também visitamos a Desalto, a empresa com a qual faremos o workshop após o final de semana. Era um dos stands mais criativos e melhor elaborados esteticamente, oferecendo belas imagens e conceitos.

A visita da tarde foi curta, e teve muitas outras empresas interessantes além das mostradas aqui, assim como na caminhada pela Euroluce. Às 16h30 já estávamos exaustos. Mas o dia estava longe de terminar. Fomos às exibições externas ao Salão próximas à Piazza Duomo, que coincidentemente eram duas exposições brasileiras.

A primeira apresentava vários dos designers brasileiros mais conhecidos, e oferecia um espaço com destaque para o futebol brasileiro, que incluía diversas intervenções interessantes em bolas de futebol.

A segunda exibição foi a Rio+Design, que apresentava a marca do Rio para 2016. A parte mais interessante foi a junção da tecnologia com o papel nos displays totalmente interativos. Ipads foram agrupados com bancadas de papelão e imagens projetadas em tecidos se transformavam em grandes telas touchscreen.

O próximo ponto foi a inauguração da exibição da loja de luminárias Artemide, com direito a champanhe, quitutes e principalmente algumas personalidade famosas. Como se já não fosse suficiente poder ver de perto as peças de uma empresa que frequentemente usamos de referência, um de seus principais designers estava presente: Karim Rashid. É óbvio que tiramos uma fotografia com ele.

Para encerrar a noite, uma janta muito bem ambientada e comprinhas. E de volta para o hotel, pois amanhã começa tudo de novo.